Sobre os textos


A palavra 'texto' vem do latim teccere (construir, tecer), cujo particípio passado,
textus, também era usado como substantivo, e significava 'maneira de tecer', ou 'coisa tecida' e, ainda mais tarde, 'estrutura'.

Escrever um texto é como tecer: há uma trama de fios (as palavras) que são cruzados, entremeados, enlaçados para que formem um tecido repleto de significados. A construção do tecido é feita a partir dessa trama, que também é o que estrutura um bom texto em prosa. O tecido abriga, protege, aquece, mostra quem somos, os tecidos dos povos são sua cultura e expressam seus modos de ser e viver. O mesmo ocorre com os textos.

Como as tramas do tecido, são infinitas as tramas dos textos, e as palavras, assim como os fios, têm suas regras de aproximação e repulsão, regras de uso, de forma, de adequação, coesão e coerência. Assim como os fios, as palavras se embaralham, e podem construir textos frágeis, cheios de buracos ou nós aparentes.

Optamos, neste trabalho com os textos dos alunos, deixar exposta a urdidura de suas tramas, inclusive com os tropeços eventuais e iniciais que fazem parte do trabalho de qualquer tecelão.

A revisão faz parte do trabalho de qualquer escritor, e a ideia é que este processo fique bastante evidenciado por aqui, pois trata-se de uma experiência de ensino aprendizagem.

Os alunos postam seus textos e somente depois vamos revisá-los, comentá-los, corrigi-los. Isso acontecerá através das caixas de comentários e os textos serão aprimorados, pois o blog também permite a constante correção.

Cada aluno tem o compromisso de rever e, se necessário, reescrever sua crônica após os comentários dos professores: corrigir erros ortográficos, rever pontuação, alterar a estrutura do texto, completá-lo, o que for.

A composição da escrita é bastante trabalhosa, e requer muto cuidado e tempo. Aqui estamos expondo o processo dessa composição. Isso, ao nosso ver, também faz parte do processo educativo.


Bom trabalho para todos nós!!




sábado, 24 de maio de 2014

No que pensam as crianças?

     A receita de pudim de micro-ondas em um sábado à tarde cheio de fome. A ansiedade do fogo que não acende para que os sanduíches grelhem. O amor pelo arroz e feijão, o arroz por baixo, o feijão por cima. O ódio aos legumes e às saladas. A defesa do churrasco, a defesa da salada. O incrível patê de azeitona em meio ao insosso desfile de salgadinhos convencionais.
   A defesa da Copa, a condenação da Copa. Política, a distribuição dos poderes no mundo, o sensacionalismo dos sangrentos jornais vespertinos na tevê. O conservadorismo do sistema escolar. A maldade que toma conta do centro da cidade. O orelhão solitário e esquecido no meio da rua. O dinheiro perdido.  A casa solitária entre prédios. A noite barulhenta, que não deixa descansar.
   A tarefa cotidiana, a vida cotidiana, os dias iguais e sempre diferentes, a luta contra si mesmo, a descoberta de quem se é. As tarefas de português, a obrigação de escrever, as loucuras do professor querido, a escola, as chatices da escola, as dificuldades da escola. Os sonhos, as histórias de criança, o medo de injeção, a conquista do machado. As pombas na rua.
    A velha rabugenta.
   Os gatos, os pais, as mães, as namoradas dos pais, os namorados das mães.  A amizade. O pum do amigo. Os desenhos animados de antigamente, como eram melhores. As brincadeiras com os amigos, os trocadilhos idiotas com amigos, as conversas com amigos. Como é bom ter amigos.
   As mudanças. Mudança de casa, mudança de escola, mudança de cidade. A janela na frente do prédio, os espaços vazios da noite, o terreno abandonado. O mendigo na rua, o velho que nos olha, o prédio em construção, a gente em construção. A família no shopping, as músicas. Das garotinhas na escola à saída de casa. 
    No que pensam as crianças?
   Sei que poucas vezes vi escritos tão sinceros e, por isso mesmo, tão legais. Sei que as coisas são como são, que não me venha pedir, Luana, para dar uma mensagem ou densidade maior ao que contei, o que contei era isso, desse tamanho, não tem como desenvolver mais. Ou venha ver, Luana, se essa imagem está boa, dá uma ideia, vê se assim ficou claro. Por que não posso escrever palavrões, por que não posso escrever textos curtos, por que sou obrigado a escrever? Não tenho do que falar, não sei, não quero, quis causar reflexão, quis que rissem, gosto de escrever textos engraçados. Minha mãe falou que meu texto tem profundidade. Luana, você leu o texto que eu postei no blog? Ficou legal? Escrevi mais três crônicas ontem, você leu? Aos poucos fui me soltando, não critica a crônica dele, está super legal. Não revisei porque fico com preguiça. Eu gostei de escrever crônicas. Foi legal porque cada um encontrou o seu estilo. Encontrei minha crônica no banheiro. Na rua. Encontrei minha crônica na escada. Na lembrança.
   E como foi legal conhecer e ver nascer esses novos cronistas modernos, e ler os blogs e dialogar sobre a escrita, a crônica, a revisão, o uso da crase, o registro do quase nada que é tudo.
   E como é legal, sempre, acompanhar essas crianças juntando palha, crescendo, aprendendo e suando nos porquês para, um dia, construírem seus próprios ninhos.

  
P.S.: Acho que esse é o último ano em que ainda é possível chamá-los de crianças. Resolvi aproveitar. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Blogueiros equipanos 2014

E já se passaram quatro anos.

Os primeiros a criar seus blogs e colocá-los na rede agora estão no terceiro terceiro ano do ensino médio, prontinhos (ou não, mas fazer o quê?) para sair da escola, entrar na vida, e tudo o mais. Estão ali, por exemplo, os blogs de quase todos os alunos monitores do Ranieri deste ano, é só procurar. Alguns apagam suas páginas, outros dão continuidade, outros deixam lá mas morrem de vergonha se sabem que eu andei lendo alguma crônica deles por aí (não é, Lúmina?)

O fato é que a internet, que tem fama de tão rápida e passageira, aqui agrega tempos, e deixa que as turmas se encontrem. Cada turma dessas tem também um livro de crônicas, e os livros estão talvez em estantes de pais avós e mães orgulhosas, em baús de guardados, na cabeceira de alguém. Aqui fica uma estante acessível a todos, pedacinhos da existência de cada um, com tropeços, acertos, imagens e textos, legais ou não.

Fico achando bacana, esse projeto. Tenho saudades dos alunos que passam e renovo minha vontade de ser professora a cada turma que entra. Minha vontade de ler os textos de cada um e ajudá-los no domínio e compreensão da nossa língua escrita.

Ontem, 31 de março, aprendi novamente com meu grande professor de redação, o Gilson Rampazzo. Ele comentou como a liberdade foi uma conquista de toda uma geração, muito generosa, que não achava que dava para ficar bem com tanta gente em volta passando mal, seja pela desigualdade, falta de liberdade ou injustiça.

Neste ano esse projeto fica sendo em homenagem a eles , a essa geração generosa que lutou tanto e sofreu tanto para que grandes coisas como a democracia e pequenas coisas, como projetos como esse, no qual jovens escrevem e publicam textos sobre o que quer que queiram e pensem, possam acontecer.

Luana.

E aqui, a trilha sonora da aula impossível, a aula sobre música e censura no período da ditadura.

Agradeço ao professor Antonio Carlos que gentilmente me cedeu a sua lista de músicas, a partir da qual essa lista foi feita.
 Há uma certa ordem cronológica, vale a pena prestar atenção nas mudanças que vão ocorrendo, seja no estilo musical, seja no teor das letras, e relacioná-las aos acontecimentos desse período.  Todas as músicas estão linkadas, basta clicar. Trata-se, é claro, de uma amostra. Novas músicas, sugestões e relatos podem ser postados nos comentários, seria bem legal, podemos ampliar cada vez mais a lista.

Bossa Nova no Carniggie Hall
Opinião Nara Leão
Carcará. Maria Bethania.
O Calhambeque. Roberto Carlos
Arrastão. Elis Regina
Disparada. Jair Rodrigues
Alegria, alegria. Caetano Veloso
Domingo no parque. Gilberto Gil
Roda viva. Chico Buarque
Ponteio. Edu Lobo
Viola enluarada. Milton Nascimento
Geraldo Vandré ao vivo no maracanãzinho
Sabiá. Tom Jobim e Chico Buarque
Sinal Fechado. Paulinho da Viola
Tropicália. Caetano Veloso.
Aquele abraço. Gilberto Gil
Não vá se perder por aí. Mutantes
Cálice. Chico Buarque.
País tropical. Wilson Simonal
Apesar de você. Chico Buarque
Cartomante. Ivan Lins
bêbado e a equilibrista. Elis Regina



terça-feira, 5 de março de 2013

Blogueiros equipanos 2013 no ar!

E foi dada a largada para mais uma safra do incrível projeto blogueiros equipanos, comuma nova  turma de blogueiros atentos para boa a escrita sobre as coisas do cotidiano, da vida, do universo, enfim.
Os blogues foram abertos, muitos já estão cheios de crônicas, e agora é o momento de troca, escrita, reescrita, comentários e aprendizagem. O Pedro está a toda, lendo e comentando os textos via e-mail e pedimos encarecidamente que os comentários sejam escutados e considerados, antes de postar os textos nos blogs. Combinamos que não há limite para postagem, mas há limite para a correção, portanto, nem toda crônica postada foi avaliada e corrigida.

E fica, como post de estreia, o convite-convocação: todos vocês alunos ainda jovens demais para terem tido aulas com o Gilson Rampazzo, devem ir ao menos fazer uma visita ao blog dele. O Gilson foi meu professor de redação, do Pedro, e de um monte de gente por aí, todos em débito, porque o cara ensina a escrever e bem. Muito do que eu faço em sala de aula aprendi com ele, e copio descaradamente.

Comecem por essa:  O analfabeto funcional

e vão aprendendo. 
para visitar o blog, clique aqui: Crônicas e outros textos, Gilson Rampazzo

abraços a todos, 


bons começos,

Luana

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Blogueiros Equipanos 2012!

Escher, As mãos que desenham.





Sim!!
parece que conseguimos.

Parece que todos os alunos já criaram seus blogs. 
Mesmo aqueles que eram contra.
Mesmo aqueles que eram tímidos. 
Mesmo aqueles que mal tinham conta de e-mail. Ou aqueles que estavam sem computador. Mesmo aqueles que estavam em crise. 
Talvez, principalmente aqueles que estavam em crise.
 Ou não.
  Aqueles engraçados, aqueles sérios, aqueles todos. Estão abrindo seus blogs e aparecendo por aqui. 

Vitória!

O combinado foi deixar os links na caixa de comentários da primeira postagem deste blog guarda-chuva aqui que vos fala. Quem comentou, foi linkado, a lista está lá: blogueiros equipanos 2012, logo abaixo do "sobre nossos textos".

E os blogs estão muito muito legais. Mesmo.  Parece que nos divertiremos por aqui.
Que venham todos!


Alguns comentários gerais:
Um blog lindo e colorido com letras incríveis mas difícil de ler, não é lido.
Um blog incrivelmente bem diagramado mas sem nada escrito, vale pouco.
Um blog com crônicas super legais mas sem revisão dá muita pena, pois erros de ortografia sujam e empobrecem o texto.
Um blog que desconhece pontuação ( ponto final, vírgula, reticência, etc) é um blog difícil de ser entendido.

Um blog de cada um de vocês, com a cara de cada um de vocês, é uma delícia.

Convido todos a passar pelos blogs de todos, e deixem seus comentários.
Já tem coisas muito legais por aí.

Ao trabalho e que esse seja o início de muitos textos e muita troca, pois é para isso que esse trabalho nasceu!

Luana

ps. Pergunta geral para a classe: por que este desenho do Escher está aqui neste comentário? 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sobre os textos


(imagem: A leitora; Pierre August Renoir. 1875)


A palavra 'texto' vem do latim teccere (construir, tecer), cujo particípio passado textus também era usado como substantivo, e significava 'maneira de tecer', ou 'coisa tecida', e ainda mais tarde, 'estrutura'.

Escrever um texto é como tecer: há uma trama de fios ( as palavras) que são cruzados, entremeados, enlaçados para que formem um tecido repleto de significados. A construção do tecido é feita a partir dessa trama, que também é o que estrutura um bom texto em prosa. O tecido abriga, protege, aquece, mostra quem somos, os tecidos dos povos são sua cultura e expressam seus modos de ser e viver. O mesmo ocorre com os textos.

Como as tramas do tecido, são infinitas as tramas dos textos, e as palavras, assim como os fios, têm suas regras de aproximação e repulsão, regras de uso, de forma, de adequação, coesão e coerência. Assim como os fios, as palavras se embaralham, e podem construir textos frágeis, cheios de buracos ou nós aparentes.


Optamos, neste trabalho com os textos dos alunos, deixar exposta a urdidura de suas tramas, inclusive com os tropeços eventuais e iniciais que fazem parte do trabalho de qualquer tecelão.

A revisão faz parte do trabalho de qualquer escritor, e a ideia é que este processo fique bastante evidenciado por aqui, pois trata-se de uma experiência de ensino aprendizagem.


Os alunos postam seus textos e somente depois vamos revisá-los, comentá-los, corrigi-los. Isso acontecerá através das caixas de comentários e os textos serão aprimorados, pois o blog também permite a constante correção.

Cada aluno tem o compromisso de rever e, se necessário, reescrever sua crônica após os comentários dos professores: corrigir erros ortográficos, rever pontuação, alterar a estrutura do texto, completá-lo, o que for.

A composição da escrita é bastante trabalhosa, e requer muto cuidado e tempo. Aqui estamos expondo o processo dessa composição. Isso, ao nosso ver, também faz parte do processo educativo.



Bom trabalho para todos nós!!

2012




















E atenção! Foi dada a largada para a turma de blogueiros equipanos de 2012.
Nesta semana (14/08) cada um deve abrir seu blog e postar a sua primeira crônica, a partir do exercício de "olhar para fora".
A medida em que vocês forem me mandando os links dos blogs de vocês, eu posto aqui, e coloco na nova lista de links, blogueiros 2012.


(Edward Hopper, Rooms by the sea)

Lembrete a todos: escolham títulos que tenham a ver com o que vocês querem dos blogs de vocês, escolham um visual bacana mas que, sobretudo, seja de fácil leitura, escolham um endereço fácil de ser guardado e uma senha da qual vocês se lembrem!
Sempre, sempre, antes de postar, acesse o corretor ortográfico, releiam, revisem. A escrita se dá através de muito trabalho e revisão, mais que inspiração. Um excelente começo para todos nós.





Saber olhar para fora de si, realmente olhar é primeira tarefa de qualquer cronista. Que este projeto abra muitas janelas na vida de vocês, o olhar de cronista reconfigura e ilumina aquilo que, no dia a dia, é aparentemente banal.

Primeira tarefa:
o que foi visto ao se olhar para fora?
você pode escrever uma crônica sobre algo visto, ou sobre essa experiência.

Bons trabalhos,
Luana

Edwar Hopper, Morning sun


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